Reflexão Final

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Não poderia terminar a especialização sem deixar de mencionar uma passagem que li há pouco do querido Prof. Moran (2014).

As tecnologias permitem o registro, a visibilização do processo de aprendizagem de cada um e de todos os envolvidos. Mapeiam os progressos, apontam as dificuldades, podem prever alguns caminhos para os que têm dificuldades específicas (plataformas adaptativas). Elas facilitam como nunca antes múltiplas formas de comunicação horizontal, em redes, em grupos, individualizada. É fácil o compartilhamento, a coautoria, a publicação, produzir e divulgar narrativas diferentes. A combinação dos ambientes mais formais com os informais (redes sociais, wikis, blogs), feita de forma inteligente e integrada, nos permite conciliar a necessária organização dos processos com a flexibilidade de poder adaptá-los à cada aluno e grupo.

Se houve alguém que realmente me puxou, me empolgou e me fez ir além na disciplina que ministrou em nosso curso foram José Moran e João Mattar, tendo as tecnologias como operadoras de Inteligência Coletiva, não é mesmo Prof. Ery?Além dos tópicos que abordaram terem sido interessantes e relevantes do ponto de vista acadêmico, trouxeram para o ambiente virtual o que acredito deveria ser parte de qualquer programa online, um design instrucional mais solto, contextualizado que foi se construindo com o grupo ao longo do tempo. Nada era fixo ou determinado, mas fluido, líquido. Cada um de nós se apropriava do que achava relevante. O ponto alto das aulas do Prof. Moran foi seu humanismo e proximidade, trazendo materiais e leituras incríveis, relatos de experiências pedagógicas bem sucedidas. Volta ao Mundo em 13 Escolas foi uma leitura apaixonante que nos faz querer transformar o mundo e nossa sala de aula. Também me aprofundei e estudei questões relacionadas ao modelo híbrido de educação já que acredito, cada vez mais, que esse será o modelo do presente e do futuro.  Da mesma forma que o  o Prof. Ery, Moran também proporcionava ao grupo encontros online sistemáticos. A prof. Andréa Filatro também buscou trazer uma visão abrangente do Design Instrucional, construindo com o grupo e nos instigando a desenvolvermos o entendimento dos conceitos. Esteve presente no grupo. E propôs o desafio final da gravação de uma Pecha Kucha.  Mattar é realmente de Mattar com sua presteza, capacidade de articulação e vontade de acertar o tom da nossa experiência pedagógica. Disponível, acessível, acadêmico de estirpe, mas sem perder o senso de realidade, fazendo a ponte com a sala de aula e, ao mesmo tempo, nos presenteando com a sua sala de aula que não poderia ser mais próxima e rica nas discussões, interações e construções com o grupo. Sempre se pautou pelo prático, o dia a dia, a sala de aula. Só senti falta na disciplina de mlearning discussões com o grupo, ideias para o uso de dispositivos móveis em sala de aula. Gostei do desafio da criação do aplicativo, mas acho que poderíamos ter avançado nas discussões sobre práticas pedagógicas. Bem, pode ter sido eu que realmente tive algumas pausas por causa de viagens e projetos profissionais.

Games e gamificação, tendências apontadas no Horizon Report de 2013, também foram foco de minhas incursões acadêmicas e aprofundamento do tema desde o início da especialização.

Quando compilei todos os textos que produzi durante o curso e criei a nuvem de palavras acima, ficou claro que o meu foco são os alunos e professores. E no vídeo faço umas colocações sobre o que essa trilha de aprendizagem teve de significado único no meu desenvolvimento acadêmico e profissional.

Cada um criou sua narrativa. Comecei a delineá-la aqui, mas a narrativa dura enquanto temos uma história para contar e criar. E eu continuo a minha.


Referência

Horizon Report: Edição Ensino Superior (2013). Disponível em: <http://www.nmc.org/pdf/2013-Horizon-Report-HE-PT.pdf>. Acesso em: 28 out. 2013.

MORAN, J.(2014) Mudando a Educação com Tecnologias Ativas e Valores. Disponível em < http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2014/11/mudando_moran.pdf> Acesso em: 30 nov. 2013.

Nanocurso sobre Presença Social Online

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Como projeto final da disciplina de Tutoria e Docência Online e Avaliação, eu e o Vini Lemos trabalhamos juntos. Tínhamos de elaborar um projeto de tutoria online. No entanto, acho que fomos além e não só apresentamos o projeto, mas conseguimos desenhar o curso sobre Presença Social Online. Na verdade, decidimos entitulá-lo Nanocurso porque é um recorte de um macro tema de docência online.

Trabalhamos incessantemente e colaborativamente por duas semanas para acertarmos um desenho instrucional contextualizado em que o participante do curso tivesse uma experiência de aprendizado conectivista, trabalhando de forma autônoma e também colaborativa. A premissa principal do curso foi a elaboração de atividades digitais que incentivassem a troca, a descoberta, o desenvolvimento de uma trilha pessoal. Esse trabalho final representa a culminância de tudo que estudamos na especialização, tendo como premissa no curso uma visão conectivista para o aprendizado, resumida aqui nas palavras do Prof. João Mattar (2012),

“ Como na aprendizagem construtivista, a presença do ensino no conectivisimo é criada pela construção de caminhos de aprendizagem e pelo design e suporte de interações, de tal forma que os alunos fazem conexões com recursos de conhecimento existentes e novos. Ao contrário de pedagogias anteriores, o professor não é o único responsável pela definição, pela geração ou pela atribuição de conteúdo. Em vez disso, os alunos e os professores colaboram para criar o conteúdo do estudo e no processo recriam esse conteúdo para uso futuro por outros, incluindo os alunos ensinando aos professores e uns aos outros.”

O resultado desse caminho de aprendizagem, uma trilha que delineamos por meio de um design de aprendizagem flexível em que os alunos fazem conexões e por meio delas e das interações uns com os outros aprendem, pode ser conferido no http://oprofessoronline.wordpress.com  e o nosso plano de tutoria está também disponível aqui.


 

Referência

MATTAR, J. Tutoria e interação em educação a distância. São Paulo: Cengage Learning, 2012.

 

Aplicativo sobre o Movimento Maker

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makercollageO conceito do movimento maker, de fazedores, ainda é bem incipiente no Brasil, apesar das salas de aulas, principalmente no ensino infantil serem populadas por projetos makers com as crianças. No entanto, conforme as crianças avançam no sistema educacional, o fazer se perde em aulas teóricas, com a maioria dos professores despejando conteúdo. Com o retorno do olhar para o fazer como parte integrante do aprendizado, movimento esse que tem se espalhado pelos Estados Unidos e Europa, temos a possibilidade de reimaginarmos espaços e salas de aula sob uma nova perspectiva sobre o ensinar e aprender baseados em uma cultura do fazer, que aproxima teoria e prática, que traz o encantamento e o despertar da curiosidade de volta para a sala de aula, que inspira jovens a entenderem fenômenos da natureza, conceitos matemáticos e físicos, que promove um alto grau de transdisciplinaridade. Paulo Freire, em sua visão aberta e construtivista da educação, já falava desse espírito empreendedor e de apreensão da realidade pelo fazer. Em sua Carta aos Professores (2001) já relatava experiências maker,

“Certa vez, uma alfabetizanda nordestina discutia, em seu círculo de cultura, uma codificação (1) que representava um homem que, trabalhando o barro, criava com as mãos, um jarro. Discutia-se, através da “leitura” de uma série de codificações que, no fundo, são representações da realidade concreta, o que é cultura. O conceito de cultura já havia sido apreendido pelo grupo através do esforço da compreensão que caracteriza a leitura do mundo e/ou dapalavra. Na sua experiência anterior, cuja memória ela guardava no seu corpo, sua compreensão do processo em que o homem, trabalhando o barro, criava o jarro, compreensão gestada sensorialmente, lhe dizia que fazer o jarro era uma forma de trabalho com que, concretamente, se sustentava. Assim como o jarro era apenas o objeto, produto do trabalho que, vendido, viabilizava sua vida e a de sua família.

Agora, ultrapassando a experiência sensorial, indo mais além dela, dava um passo fundamental: alcançava a capacidade de generalizar que caracteriza a “experiência escolar”. Criar o jarro como o trabalho transformador sobre o barro não era apenas a forma de sobreviver, mas também de fazer cultura, de fazer arte. Foi por isso que, relendo sua leitura anterior do mundo e dos que-fazeres no mundo, aquela alfabetizanda nordestina disse segura e orgulhosa: “Faço cultura. Faço isto”.”

Devido a um projeto na minha escola de um espaço maker (makerspace) dentro da biblioteca de uma de nossas filiais, temos desenvolvido vários projetos makers com os nossos alunos, nos apropriando, inclusive de novos espaços pela escola, com vários projetos de criação e experimentação dos alunos (http://thomas.org.br/makerspace ). Vejo a movimentação e mudanças na forma de ensinar acontecendo, com cada vez mais professores aderindo à proposta, sugerindo e testando com seus grupos. E o resultado são alunos mais engajados e professores mais felizes e motivados.

Assim, achei que a criação de um aplicativo sobre o movimento maker para que mais professores entendam o que é e se inspirem para darem os primeiros passos em seus contextos educacionais foi o que me motivou a usar a plataforma de criação de aplicativos Fábrica de Aplicativos, tendo como conceito básico um aplicativo de auto-estudo para professores e gestores educacionais que querem entender um pouco mais sobre o assunto, com dicas, posts e vídeos (em português e inglês) sobre ideias para projetos e atividades, e fotos de atividades com os alunos. Antes de usar essa plataforma, tinha tido uma experiência frustrante com outra plataforma que criava aplicativos apenas para o sistema operacional Android e era necessário um PC para visualizar o resultado final, pois tenho celular iOS e trabalho em um MAC. Trabalhar com a Fábrica foi, então, um achado gratificante por ser de fácil navegação e centrada no usuário. O sistema é totalmente intuitivo, não sendo necessário qualquer conhecimento técnico de desenvolvimento para a criação do aplicativo. O mais importante foi a seleção de conteúdo que fosse relevante dentro das limitações de recursos oferecidos na versão gratuita (fiquei, inclusive, tentada a pagar pela inscrição anual!).

Um outro aspecto a ser considerado, além do desenho instrucional na criação do aplicativo, é a parte de estética do design. Na verdade, poderia ter, inclusive mantido os ícones padrões que já vêm com o aplicativo, mas decidi investir em ícones e header que dessem um visual mais moderno e alegre. Também fiz algumas versões e edições do ícone do aplicativo quando baixamos para o celular para ficar atraente e dentro dos padrões de ícones no painel de nosso celular. Enfim, as mesmas questões que consideramos ao criar qualquer material instrucional devem ser considerados na criação de um aplicativo. A experiência me mostrou que, assim como em tantos outros aspectos da tecnologia educacional onde as ferramentas estão centradas na criação e produção do usuário, exigindo pouco conhecimento técnico para que sejamos criadores de conteúdo, a criação nos dispositivos móveis caminham também nessa direção.

O que me chamou atenção, nesse caso, é que apesar de achar que o aplicativo que criei pode ser útil para os educadores que o utilizarem, ele está ainda muito dentro dos conceitos da web1.0, em que a o usuário é mero receptor do conteúdo, sem muitas características interativas. Na versão paga, havia a possibilidade de se criar um mural para comentários dos usuários. No entanto, mesmo assim, o mais interessante nos aplicativos de dispositivos móveis atualmente é a possibilidade da experiência interativa e de produção de artefatos digitais pelos usuários. Então, vejo, no caso, da Fábrica de Aplicativos, o potencial de fazermos com que os nossos alunos criem seus próprios aplicativos, explicando conceitos, mostrando projetos, e, até, montando seus próprios portfólios digitais em forma de artefato digital. Como esse projeto, ficou claro que somos todos makers digitais e agora somos empoderados por plataformas simples e intuitivas de criação de apps.

O meu aplicativo ficou assim, com a personalização do conteúdo e visual relacionados ao movimento maker:

E para baixar para o seu celular, acesse http://app.vc/movimento_maker ou utilize o QR code abaixo:

O questionamento feito pelo prof. Mattar no feedback sobre o meu aplicativo é pertinente. Ele mencionou o seguinte,

“Carla, tudo está funcionando bem e o tema é importantíssimo porque vem sendo bastante discutido na literatura.

Fiquei refletindo aqui apenas o quanto seu aplicativo, e alguns outros, têm mais jeito de web, páginas na web, do que de um aplicativo para dispositivo móvel. É interessante que haja links e seu aplicativo funciona, mas às vezes me sentia mais navegando na web do que o que sinto quando estou em algum aplicativo que uso no meu Android. Não chegamos a discutir isso aqui na disciplina nem me lembro de leituras que explorem esse ponto, então me senti à vontade para registrar no seu post porque poderemos continuar a conversa.”

E continuo a conversa por aqui. Acho que Mattar tem razão. Como havia mencionado em minha reflexão senti o aplicativo muito Web1.0, mais informacional. No entanto, achei também interessante o fato de poder disponibilizar por meio de dispositivos móveis um recorte de um tema tão amplo, fazendo a curadoria de textos, vídeos e imagens para ajudar aqueles que têm curiosidade sobre o tema terem um pontapé inicial. É um guia, um menu sobre o assunto. Então, mesmo não tendo todas as funções e explorando as potencialidades multimídias que alguns aplicativos proporcionam devido à minha limitação técnica e do próprio aplicativo (na versão gratuita), fiquei satisfeita por ter conseguido colocar o meu primeiro app no ar. Ressalto, novamente, que acho que mais do que nós, professores, criarmos um, é muito mais didático e produtivo se os alunos, por exemplo, produzirem um guia de estudos para os outros alunos com o foco em certo conteúdo. Ao fazerem isso, estarão revendo o conteúdo estudado e aprendendo mais sobre curadoria digital, já que terão que selecionar e filtrar o que fará parte do app. Este é exatamente o processo de repetição para que o aprendizado do aluno se consolide. Para disponibilizar um guia de estudo via app, ele terá que rever o conteúdo e também delimitá-lo de acordo com a capacidade e restrições da plataforma digital. E se o trabalho proposto for em grupos pequenos, haverá ainda a possibilidade da construção do conhecimento entre os membros do grupo por meio de interações, discussões e acordos sobre a melhor forma de disponibilização do material pedagógico. Esse seria um trabalho de mlearning construtivista e conectivista em sua essência. Imagino, também, em uma atividade dessa cada grupo sendo acompanhado por um “especialista” que pode ser um professor convidado ou um aluno escolhido pela equipe. Sendo assim, mesmo com as limitações do aplicativo, a experiência de sua criação pode ser utilizada como uma atividade para o desenvolvimento das competências digitais, bem como sócio-cognitivas dos alunos.


 

Referência

FREIRE, Paulo. (2001). Carta de Paulo Freire aos professores. Estudos Avançados15(42), 259-268. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142001000200013&lng=en&tlng=pt. 10.1590/S0103-40142001000200013>.

Tutoria Online e Operadores de Inteligência Coletiva

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Para qualquer docente online, antes de iniciar o processo de moderação e facilitação de experiências online para o aprendizado, é necessário que ele entenda aspectos de Inteligência Coletiva, avaliação, Design Instrucional e teorias de aprendizagem para que esteja pronto e tenha o embasamento teórico para colocar na prática pedagógica de cursos online atividades que sejam relevantes, contextualizadas e que incentivem a colaboração e co-construção do conhecimento por meio de atividades interativas. Além disso, deve estar sempre atualizado em relação às ferramentas digitais que pode utilizar em seu modelo instrucional para uma experiência de aprendizado rica, transformadora e conectada.

Muitos dos cursos online disponíveis atualmente carecem da mediação adequada de um professor, que, na maioria das vezes, não passou por uma capacitação adequada, tampouco experimentou ser aluno em ambiente virtual.

Assim, nas discussões sobre operadores de Inteligência Coletiva propostas na disciplina tutoria e docência online, depois de ter lido o capítulo 2 da tese de Mestrado do Professor Ery, coloquei o seguinte em relação aos operadores de Inteligência Coletiva:

Talvez o mais importante para quem trabalha com docência online é entender as interrelações entre os diversos operadores de Inteligência Coletiva de forma a potencializá-la ao criarmos um espaço de aprendizado que seja colaborativo, que promova a discussão, reflexão, experimentação. Ao entendermos a interseção dos elementos metodológicos e as opções que temos dentro do DI, além da compreensão das diversas teorias de aprendizagem (behaviorista, socioconstrutivista, cognição distribuída e conectivista), tecnológicos com seus inúmeros recursos de mídia e dos elementos sociais com as formas pelas quais interagimos e nos inserimos em comunidades de aprendizagem, podemos estar em contínuo aperfeiçoamento  na implementação de novas formas diferenciadas de ensinar e aprender que explorem tanto a inteligência potencial, quer dizer, a utilização e remixagem desse conhecimento armezanado, como a inteligência cinética em que alunos e professores têm papel essencial na co-construção do conhecimento com produção de conteúdo, recursos, que podem ser reutilizados pela comunidade.   E quanto entendemos o valor dessa inteligência coletiva que pertence a todos e a cada um construída por uma metodologia em determinada mídia e de forma social, também passamos a dar valor e a entender o caráter aberto do conhecimento e tenho a esperança que isso gere uma produção cada vez maior e melhor de recursos educacionais abertos que possam sem apropriados e reapropriados pela comunidade como um todo. 

Em relação a outros operadores, fiquei me questionando se nossa própria cultura não entraria dentro do operador social. E falo aqui não só da cultura em que vivemos, mas também da própria cultura institucional que de certa forma ditará como os cursos online serão desenhados, qual o perfil da docência online, como será feita essa construção do conhecimento e como este será compartilhado. 

Também acredito que teremos cada vez mais tipos de mídias que terão muita força na potencialização da inteligência coletiva, como novos tipos de redes sociais e possibilidades dentro de dispositivos móveis. Creio que tudo isso impacta no ecossistema da Inteligência Coletiva. 

Na discussão do grupo, achei interessante o modelo de Zeng compartilhado pelo professor Eri, que representa o ecossistema da Inteligência Coletiva em que as interações, feedback, interações onde há a negociação entre o grupo, mas é também marcado pela autoregulação e autonomia do aluno.

zengframework


Referência

SILVA, J.E. Operadores de Inteligência Coletiva em Ambientes Virtuais de Aprendizagem. 2010. Tese (Mestrado em Aprendizagem e Semiótica Cognitiva) -Tecnologias da Inteligência e Design Digital, Pontífica Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2010.

Modelo Avaliativo Híbrido – Letramento Digital Para Professores

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Para o projeto de modelos avaliativos da disciplina Avaliação, em vez de começar um novo projeto, busquei dar continuidade ao que já vinha fazendo nas outras disciplinas. Entáo, utilizei parte de um sistema de gamificação que já tinha trabalhado na disciplina da Prof. Eliane sobre games e gamificação e inclui toda a parte de avaliação, baseada nas leituras e vídeos desse módulo. edução_a_distancia_textos_aplicados_a_situações_praticas

Aqui está o modelo avaliativo completo: http://bit.do/projetoavaliacao E um resumo visual que a professora solicitou. Aproveitei para já fazê-lo interativo no Thinglink, com os links para os modelos de avaliação que criei:

http://www.thinglink.com/scene/582997698123137025

Tutoria Online – Considerações sobre as Características do Professor Online

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77997642Depois da leitura do texto de Palloff e Pratt (2011) sobre tutoria online e as características do professor online, bem como ter respondido o questionário propostos pelo professor Eri, aqui estão algumas considerações que teci sobre o tópico:

Em relação ao questionário, achei a ferramenta interessante como uma auto-reflexão para aqueles que já atuam com tutoria online. No meu caso, minha pontuação total foi de 164, o que de acordo com a tabela, eu seria considerada uma especialista/mestre. Na verdade, não me sinto assim. Acho que estamos em constante evolução e sempre aprendendo sobre novas estratégias de moderação, ferramentas digitais para envolver os alunos e incentivá-los a participarem ativamente das atividades propostas.

Minha pontuação ficou distribuída da seguinte forma:
Habilidade técnica – 60
Experiência com ensino e aprendizado a distância – 40
Atitudes em relação ao aprendizado à distância – 38
Gerenciamento do tempo e comprometimento – 26

No texto de Palloff e Pratt (2011), os autores delineam as principais características do professor online, e acho que tenho tido experiências no ensino online de inglês e treinamento para professores em que tento trazer o meu melhor para o meio digital de forma a primeiramente estabelecer uma presença online, encorajar a criação de uma comunidade de aprendizado – gosto do termo utilizado por Seely Brown e Thomas (2011) que falam da criação de “collectives” em vez de comunidade. Os  “collectives” são criados e estruturados em torno da participação, em que identidade e “agency” são fluidos e definidos pela participação individual que se mescla ao coletivo e seus membros se engajam em uma série de práticas comuns – e desenvolver e faciltar cursos online, além de sempre tentar prover um ambiente digital sócio-afetivo-emocional propício para o aprendizado. Temos sempre que lembrar que muitos dos nossos alunos fazando cursos online estão tendo essa experiência pela primeira vez. Então, ao considerarmos o lado humando da interação em meio online estamos já abrindo um caminho para que o aluno se sinta confortável e parte do grupo. Tarefa nada fácil E o fato de ter participado de cursos online e ter tido excelentes coaches que me ajudaram a desenvolver uma mentalidade de cursos online baseados em modelos sócio-construtivistas, tendo também uma pegada conectivista me ajudou muito como facilitadora e designer de experiências online. No entanto, o processo de nos tornarmos professores online bem sucedidos não avança sem o seu grau de desafios pessoais e institucionais.

O que já sabia e ficou confirmado na minha auto-avaliação é que há sempre espaço para melhorias no nosso gerenciamento do cotidiano de um curso online. Administrar bem o tempo para não haver uma grande sobrecarga e também para que você se faça visível é sempre um desafio. Tento ser presente ao máximo para os meus alunos, mas muitas vezes o pêndulo pesou não por falta de acesso ao curso ou feedback para os participantes, mas pelo meu desenho de tarefas que eram muito intensivas no feedback individualizado. Apesar de não ter perdido essa perspectiva da importância de darmos um feedback individualizado para os alunos, devemos pensar também em atividades online que sejam não só interessantes, motivadoras e que puxem pelo raciocínio crítico, mas que também estejam na interseção do viável, desejável e possível. Então, para mim, o grande desafio sempre foi não administrar o pouco tempo online mas a dosagem equilibrada do tempo com os alunos, o que implica também em sempre considerarmos um outro ponto importante abordado no texto de Pratt e Palloff, o bom professor online se faz visível, mas não é o único facilitador do curso. Temos que dar espaço para que os alunos colaborem, tragam recursos adicionais, construam conhecimento colaborativamente e também dêem feedback uns aos outros. E, para isso, precisamos promover tarefas e atividades online que exijam do essa participação ativa e construtiva e não meramente passiva.

Um item interessante que me fez parar para refletir no questionário foi a afirmação de que ” Eu apoio o uso de fóruns como modo de ensino.” Na verdade, acho que muitos dos cursos online subutilizam o grande potencial dos recursos digitais como ferramentas para a interação e colaboração entre o grupo, utilizando-se basicamente de fóruns de discussão e leituras como estratégias de aprendizado online. Há tantas outros recursos que poderiams ser explorados pelos professores online para engajar os alunos, motivá-los a participar e despertar a curiosidade, demandando, inclusive, uma posição mais ativa do aluno como produtor de artefatos digitais.

Acredito que a experiência como aluna e professora online, bem como minha curiosidade e motivação, tenham me feito amadurecer como profissional. No entanto, na área digital, nunca chegamos lá. Há sempre algo novo a ser aprendido e colocado em prática. Para que eu continue crescendo na área de cursos online, preciso continuar desenvolvendo o meu ambiente online de aprendizagem, fortalecendo minhas redes de conexões e interagindo com especialistas na área. Também participar de congressos, seminários e webinar ampliam a gama de recursos e estratégias que posso utilizar na moderação online.

Palloff, Rena M., and Keith Pratt. The excellent online instructor: Strategies for professional development. John Wiley & Sons, 2011.

Douglas, T., and Brown, J.S. A New culture of learning: Cultivating the imagination for a world of constant change. CreateSpace Independent Publishing Platform, 2011.

Sobre o Mito dos Estilos de Aprendizagem

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Estou em uma discussão interessante com a professora da matéria de avaliação. A primeira parte que estamos estudando é em relação a estudos feitos na área de “estilos de aprendizagem” e lemos um texto interessante sobre a coaprendizagem e os “estilos de aprendizagem” nesse meio online. No artigo, os professores falam sobre os estilos ativo, reflexivo, teórico e pragmático. Bem, meu argumento é de que isso não é “estilo”, e sim, formas de participação.

Coloquei o seguinte para a professora e colegas,

Bem, o resultado do Honey-Alonso  deu que estou entre o ativo e pragmático como minhas característica mais prominentes: Ativo =16 Reflexivo =10 Teórico =11 Pragmático =14

Li o texto Coletividade aberta de pesquisa: os estilos de coaprendizagem no cenário online . No entanto, acho que o que é mencionado como “estilo de aprendizagem” está mais para características de participação. Fico um pouco incomodada com o termo, “Estilos de aprendizagem” já que esse conceito tem sido amplamente debatido e contestado nos meios acadêmicos, principalmente com a maior interseção de estudos feitos na neurosciência e educação. Na verdade, “estilos de aprendizagem” têm sido considerado um neuromito ( http://thinkneuroscience.wordpress.com/2013/04/11/the-myth-of-learning-styles/), já que não há em nosso cérebro conexóes específicas formadas para “cada estilo”. Na verdade, hoje há um entendimento que para aprendermos, há vários processos que ocorrem em nosso cérebro que vão muito além do tipo de input sensorial que recebemos. É claro que vi que no texto, não se fala nos estilos de aprendizado que estamos acostumados a falar como o auditivo, kinestético, etc, mas mesmo assim, acho que o que os autores apontam está muito mais para características de participação e desenvolvimento de competências digitais para a colaboração e coaprendizagem.

Depois do resposta da professora que falava da importância de entendermos como aprendemos independente de nomenclatura e modismos, busquei ajuda de uma amiga estudiosa da neurociência para trazer input que fosse relevante para a discussão. Pensei, inicialmente, em ficar calada para não ser mal interpretada ou parecer polêmica, mas acho interessante educadores e alunos buscarem um novo olhar e entendimento sobre a forma como nosso aprendizado se processa. Bem, pelo menos, para mim, entrar no mundo da neurociência, me aprofundando mais um pouco no assunto, foi revelador, um aprendizado incrível que tem impactado diretamente minhas aulas tanto presenciais quanto online. E, nesse sentido foi que compartilhei no fórum de discussão a seguinte colocação sobre o tema,

Professora, entendo a abordagem, mas devido ao meu interesse já há algum tempo na neurosciência para nos ajudar em nossa sala de aula e na busca de entender exatamente como aprendemos, como nosso cérebro funciona é que levantei esse entendimento recente sobre a questão do mito dos “estilos de aprendizagem”. Acho que é importante discutirmos isso, tendo como base essas pesquisas recentes e estudos sobre o funcionamento neural que nos dão dicas preciosas sobre o entendimento de como aprendemos.

Pedi para uma amiga que tem bastante conhecimento na área de neurociência para embasar um pouco mais o que estava dizendo sobre “estilos de aprendizagem” na tentativa de todos aprendermos e discutirmos isso. Ela diz, baseando-se em pesquisas e descobertas científicas que,

“Não há suporte nas pesquisas neurocientíficas que evidenciem a existência de estilos de aprendizagem no cérebro. Os fatores que interferem no processo de aprendizagem estão relacionados aos processos cognitivos envolvidos na aprendizagem. Todos os  inputs sensoriais chegam ao cérebro na mesma região (região cortical atrás da cabeça) por meio do tronco cerebral. Nesse momento, não há preferências quanto ao tipo de input sensorial recebido (auditivo, tátil, visual, etc). A formação e permanência da memória relacionada ao conhecimento que é adquirido em sala de aula são influenciadas pelo fortalecimento das sinapses (espaços de conexões neurais). Quando o conteúdo é trabalhado de forma a promover seu entendimento, o cérebro utiliza-se do córtex prefrontal (o centro executivo) para efetuar operações de pensamento de ordem superior (analisar, julgar, etc). Dessa forma, a maneira como o input sensorial chega ao cérebro não é tão importante quanto a promoção de uma aprendizagem mais profunda. Isso não signifca dizer que o professor não deva utilizar-se de diferentes recursos em suas aulas. Muito pelo contrário, quanto mais diversificado o tipo de atividades propostas, melhor a chance de engajar os alunos em tarefas que requerem que o cérebro realize operações de ordem superior.  Na verdade, os cientistas cognitivos e os neurocientistas têm nos ajudado a desmistificar algumas crenças e práticas que não favorecem, de fato, a aprendizagem.  A aprendizagem não tem a ver com os estilos, e sim o que você faz com o input.”

Essa visão é corroborada, por exemplo, em um trecho de um artigo super interessante de Howard Gardner sobre o tema,

“Senses: Sometimes people speak about a “visual” learner or an “auditory” learner. The implication is that some people learn through their eyes, others through their ears. This notion is incoherent. Both spatial information and reading occur with the eyes, but they make use of entirely different cognitive faculties. Similarly, both music and speaking activate the ears, but again these are entirely different cognitive faculties. Recognizing this fact, the concept of intelligences does not focus on how linguistic or spatial information reaches the brain—via eyes, ears, hands, it doesn’t matter. What matters is the power of the mental computer, the intelligence, that acts upon that sensory information, once picked up.”

Não quero parecer polêmica, mas achei importante trazer uma outra perspectiva sobre o tópico, pois são pontos de partida para mais uma forma de compreender como aprendemos.