Blogs como Portfólios Digitais

Citação

Streak - Responsive WordPress Theme - Laptop

Blog como sistematização de avaliação formativa: da transmissão de conteúdo pelo professor e repetição/memorização à uma seleção ordenada do desenvolvimento intelectual do estudante. Em vez de uma avaliação pontual no tempo, o portfólio passa a representar o processo de desenvolvimento de aprendizagem do aluno, senda a evidência de sua trajetória pedagógica, em consonância com a plasticidade do mundo contemporâneo.

Definição de Portfólio de acordo com Hernandez (2000): “Continente de diferentes classes de documentos (notas pessoais, experiências de aula, trabalhos pontuais, controle de aprendizagem, conexões com outros temas fora da Escola, representações visuais, etc) que proporciona evidências do conhecimento que foi construído, das estratégias utilizadas e da disposição de quem o elabora em continuar aprendendo.”

Exemplo da Universidade de Uberaba (Uniube) – no Intistuto Federal de Educadores (IFE), os alunos usam blogs como portfólios na construção do saber e para a reflexão sobre o processo de aprendizado de cada estudante >>Estudo feito com os alunos do 1o período em Comunicação Social da Uniube.

Blogs como plataforma de portfólio, tendo como pressuposto uma audiência online. Foi escolhido por ter uma interface intuitiva em que o usuário não precisa ter nenhuma habilidade digital especial para utilizá-lo. Além disso, dá alto grau de liberdade aos autores, agilidade na publicação dos textos e fácil acesso ao conteúdo. No caso específico dos alunos de Comunicação, a escolha do blog também foi feita pensando no desenvolvimento das competências e habilidades digitais dos alunos previstas nas Diretrizes curriculares para os cursos de graduação >>> Inclusão da Linguagem digital contemporânea nas atividades pedagógicas dos alunos como elemento aproximador da linguagem cotidiana dos alunos.

Estruturação das Atividades e Registros no Blog
1. Orientação para a criação, atualização e interações nos blogs com um passo a passo para os alunos
– Um comentário no blog por aula (40 posts dos 40 encontros presenciais)
– inclusão de hiperlinks para ampliação do conhecimento a cada 5 atualizações (postagens no blog)
– um comentário semanal sbore um artigo publicado no observatório de imprensa (www.observatoriodeimprensa.com.br)
– o blog deve incluir todos os trabalhos escritos apresentados nas atividades presenciais
– os alunos devem visitar os blogs de outros colegas
– o blog será checado pelo professor em 3 períodos no semestre, e o professor concederá até 5 pontos para o blog em cada vistoria, considerando a atualidade das postagens e o cumprimento dos critérios.
– os alunos têm liberdade criativa em suas postagens.

DESAFIOS
>>> alguns alunos não sabiam o que era um blog ou como criá-los
>>> Alguns não criaram os blogs (10 alunos); 6 criaram, mas não atualizaram
>>> utilização do “internetês”nas postagens; professor fez intervenção, orientando sobre a obrigação do comunicador de escrever corretamente e coerentemente
>>> Nem todos os alunos aprofundaram suas experiências nos blogs ou mesmo conseguiram fazer as conexões com outras leituras e recursos ou com o que os colegas estavam escrevendo em seus portfólios
>>> poucos comentários dos alunos nos blogs uns dos outros
>>>interrupção das atualizações dos blogs nas últimas semanas do curso

RELEVÂNCIA DO BLOG COMO PORTFÓLIO
>>> A cada atualização, o aluno relê ou pelo menos “passa o olho”constantemente nos temas da disciplina, reforçando a compreensão do seu processo de aprendizagem e reflexão
>>> Interconexão de ideias com que os outros colegas estão escrevendo, levando a insights sobre temas que podem ter resultado em algumas dúvidas
>>> O professor tem uma visão das lacunas no aprendizado ou interpretações errôneas dos alunos e pode retomar o tema em sala de aula
>>> Registro das inquietações acadêmicas dos alunos
>>> audiência autêntica e real (não só o professor da disciplina)
>>>Revelação de interesses intelectuais despertados nos alunos que não necessariamente estavam ligados à disciplina
>>>O feedback do professor nos blogs dos alunos ou em sala de aula, de forma a pontuar o progresso do aluno e as carências na formação (Benigna Villas Boas aponta para a necessidade de parceria no processo de avaliação formativa via portfólios, que ela chama de pastas avaliativas).

CONCLUSÕES SOBRE A UTILIZAÇÃO DOS BLOGS COMO PORTFÓLIOS
>> familiarização dos alunos com a lógica de utilização e linguagem dos blogs
>> conscientização dos alunos da progressão de seu desenvolvimento intelectual ao longo do semestre
>> Reflexões complementares sobre experiências, indagações acadêmicas e inquietações intelectuais
>> Artefato digital final que é de autoria do aluno, registrando questões teóricas e pedagógicas, e também existenciais e emotivas
>> blog com potencial de canalizar as discussões teóricas do grupo de alunos
>> A partir de 2006, os blogs foram incorporados ao processo de avaliação regular
>> Os alunos passaram a ser orientados para utilizarem apenas uma plataforma de blog (www.blogger.com) para dar maior padronização à experiência e maior possibilidade de interações entre os alunos (formação de redes)

EXEMPLOS DE BLOGS PRODUZIDOS PELOS ALUNOS
http://glicapp.blogspot.com.br
http://mariconrado.blog.uol.com.br
http://jpradoblog.zip.net
http://lobotomiainformatizada.zip.net
http://danickmg.zip.net

Resumo do texto para o trabalho em grupo sobre portfólios digitais.

FONSECA, André. Portfólio Digital: o blog no recurso pedagógico no ensino superior. Semina: Ciências Sociais e Humanas, Londrina, v. 33, n. 1, p. 81-90, jan./jun. 2012. Disponível em <http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminasoc/article/view/14413/12401>. Acesso em: 13 Nov. 2013.

Continue a ler

Distância Transacional em Cursos Online

Citação

Communication

O caso desse nosso curso de Especialização é um bom exemplo de um modelo de ensino à distância em que o distância transacional é muito pequena.

Quanto ao diálogo entre os professores e alunos, ele se dá de forma constante, com alguma estrutura inicialmente determinada pelos professores, mas com a possibilidade de ampliação deste diálogo de acordo com a necessidade e interesse dos alunos. Essa redução na distância transacional é também possibilitada pelos canais de comunicação e plataforma utilizados no curso, fóruns, glossários, sistema de mensagens, notificações, emails, e utilização do Facebook. Aqui a tecnologia aparece claramente como elemento de transposição da distância transacional entre professores e alunos. Um outro fator determinante neste caso é a personalidade do professor, que é interativo, compartilha conhecimento, dá feedback constante ao grupo, personaliza as interações e demonstra preocupação em proporcionar experiências enriquecedoras de aprendizado para todos os alunos. Em nosso caso, o número de participantes está em torno do ideal para que o diálogo seja próximo e constante, e ainda “administrável” já que quando se tem um número excessivo de participantes, as interações por vezes ficam complexas e difíceis de serem estabelecidas, e alguns alunos podem, inclusive, se sentirem isolados, o que definitivamente não é o caso do nosso curso.
Quanto à estrutura, há uma flexibilidade no programa do curso e estratégias de ensino. Apesar de haver um direcionamento inicial, é perceptível que o conteúdo e programa têm uma margem para mudanças e variações baseados na próprias interações e percepções do grupo e também acomoda e responde às necessidades individuais dos alunos. Um exemplo disso foi o trabalho do Horizon Report. Apesar de todos terem lido o mesmo documento, cada um teve a flexibilidade de escolher sua área de interesse para um aprofundamento do aprendizado.
Quanto à autonomia do aluno, de acordo com Moore, quanto maior a estrutura programática e menor o diálogo, maior autonomia o aluno terá de exercer. Isso certamente trará implicações no sucesso para a finalização do programa, pois o aluno terá que ter persistência e motivação para chegar até o final. No entanto, vejo um outro aspecto que merece investigação. No caso, por exemplo do nosso programa, quanto mais adaptável for o programa, com muito diálogo entre os participantes e mais autonomia do aluno para ir ainda mais além do que está sendo proposto, menor a distância transacional e maior ainda a possibilidade de co-construção do conhecimento e aprendizado do grupo.
João, obrigada pela referência. Adorei a leitura e se relaciona diretamente com a minha experiência no desenho instrucional de cursos à distância dos quais já participei. Haveria alguma versão mais atualizada dessa discussão levando em conta não somente os meios de webconferência que temos disponíveis atualmente, mas também a inclusão dos dispositivos móveis na equação?

Depois de ter lido o texto de Moore sobre Distância Transacional sugerido pelo professor João Mattar, fiz as seguintes considerações, fazendo um paralelo com o nosso Curso de Especialização sobre Inovações em Tecnologias Educacionais  da Universidade Anhembi Morumbi.