Tutoria Online – Considerações sobre as Características do Professor Online

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77997642Depois da leitura do texto de Palloff e Pratt (2011) sobre tutoria online e as características do professor online, bem como ter respondido o questionário propostos pelo professor Eri, aqui estão algumas considerações que teci sobre o tópico:

Em relação ao questionário, achei a ferramenta interessante como uma auto-reflexão para aqueles que já atuam com tutoria online. No meu caso, minha pontuação total foi de 164, o que de acordo com a tabela, eu seria considerada uma especialista/mestre. Na verdade, não me sinto assim. Acho que estamos em constante evolução e sempre aprendendo sobre novas estratégias de moderação, ferramentas digitais para envolver os alunos e incentivá-los a participarem ativamente das atividades propostas.

Minha pontuação ficou distribuída da seguinte forma:
Habilidade técnica – 60
Experiência com ensino e aprendizado a distância – 40
Atitudes em relação ao aprendizado à distância – 38
Gerenciamento do tempo e comprometimento – 26

No texto de Palloff e Pratt (2011), os autores delineam as principais características do professor online, e acho que tenho tido experiências no ensino online de inglês e treinamento para professores em que tento trazer o meu melhor para o meio digital de forma a primeiramente estabelecer uma presença online, encorajar a criação de uma comunidade de aprendizado – gosto do termo utilizado por Seely Brown e Thomas (2011) que falam da criação de “collectives” em vez de comunidade. Os  “collectives” são criados e estruturados em torno da participação, em que identidade e “agency” são fluidos e definidos pela participação individual que se mescla ao coletivo e seus membros se engajam em uma série de práticas comuns – e desenvolver e faciltar cursos online, além de sempre tentar prover um ambiente digital sócio-afetivo-emocional propício para o aprendizado. Temos sempre que lembrar que muitos dos nossos alunos fazando cursos online estão tendo essa experiência pela primeira vez. Então, ao considerarmos o lado humando da interação em meio online estamos já abrindo um caminho para que o aluno se sinta confortável e parte do grupo. Tarefa nada fácil E o fato de ter participado de cursos online e ter tido excelentes coaches que me ajudaram a desenvolver uma mentalidade de cursos online baseados em modelos sócio-construtivistas, tendo também uma pegada conectivista me ajudou muito como facilitadora e designer de experiências online. No entanto, o processo de nos tornarmos professores online bem sucedidos não avança sem o seu grau de desafios pessoais e institucionais.

O que já sabia e ficou confirmado na minha auto-avaliação é que há sempre espaço para melhorias no nosso gerenciamento do cotidiano de um curso online. Administrar bem o tempo para não haver uma grande sobrecarga e também para que você se faça visível é sempre um desafio. Tento ser presente ao máximo para os meus alunos, mas muitas vezes o pêndulo pesou não por falta de acesso ao curso ou feedback para os participantes, mas pelo meu desenho de tarefas que eram muito intensivas no feedback individualizado. Apesar de não ter perdido essa perspectiva da importância de darmos um feedback individualizado para os alunos, devemos pensar também em atividades online que sejam não só interessantes, motivadoras e que puxem pelo raciocínio crítico, mas que também estejam na interseção do viável, desejável e possível. Então, para mim, o grande desafio sempre foi não administrar o pouco tempo online mas a dosagem equilibrada do tempo com os alunos, o que implica também em sempre considerarmos um outro ponto importante abordado no texto de Pratt e Palloff, o bom professor online se faz visível, mas não é o único facilitador do curso. Temos que dar espaço para que os alunos colaborem, tragam recursos adicionais, construam conhecimento colaborativamente e também dêem feedback uns aos outros. E, para isso, precisamos promover tarefas e atividades online que exijam do essa participação ativa e construtiva e não meramente passiva.

Um item interessante que me fez parar para refletir no questionário foi a afirmação de que ” Eu apoio o uso de fóruns como modo de ensino.” Na verdade, acho que muitos dos cursos online subutilizam o grande potencial dos recursos digitais como ferramentas para a interação e colaboração entre o grupo, utilizando-se basicamente de fóruns de discussão e leituras como estratégias de aprendizado online. Há tantas outros recursos que poderiams ser explorados pelos professores online para engajar os alunos, motivá-los a participar e despertar a curiosidade, demandando, inclusive, uma posição mais ativa do aluno como produtor de artefatos digitais.

Acredito que a experiência como aluna e professora online, bem como minha curiosidade e motivação, tenham me feito amadurecer como profissional. No entanto, na área digital, nunca chegamos lá. Há sempre algo novo a ser aprendido e colocado em prática. Para que eu continue crescendo na área de cursos online, preciso continuar desenvolvendo o meu ambiente online de aprendizagem, fortalecendo minhas redes de conexões e interagindo com especialistas na área. Também participar de congressos, seminários e webinar ampliam a gama de recursos e estratégias que posso utilizar na moderação online.

Palloff, Rena M., and Keith Pratt. The excellent online instructor: Strategies for professional development. John Wiley & Sons, 2011.

Douglas, T., and Brown, J.S. A New culture of learning: Cultivating the imagination for a world of constant change. CreateSpace Independent Publishing Platform, 2011.

Plano de Gestão de EAD – Algumas Considerações

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Na disciplina sobre Gestão em EAD, essas foram algumas colocações que fiz em relação aos principais aspectos a serem considerados quando da elaboração do documento que servirá de base para o projeto em EAD:

Em relação aos aspectos administrativos, é importante uma análise preliminar via SWOT sobre as oportunidades/ameaças/pontos fortes e fracos da instituição para se determinar qual o caminho tomar em relação ao projeto EAD. Quando percebemos onde nos inserimos interna e externamente, temos a capacidade de vislumbrar nichos de mercado que nos trarão um diferencial competitivo. No plano, a visão, missão e objetivos da empresa devem estar claros e os papéis das diversas áreas bem definidos. Além disso, cronogramas do projeto, implementação, execução e avaliação também devem ser traçados.

Em termos técnicos, precisamos ter o escopo e definirmos os recursos que serão utilizados. A equipe formada, preferencialmente multidisciplinar, dever ter profissionais tanto da área pedagógica quanto de TI, além de designers instrucionais e gráficos. Deve-se também colocar em perspectiva como será feito o suporte técnico para o aluno, os manuais que deverão fazer parte do programa para que questões técnicas não atrapalhem o aprendizado, e sim, o potencialize. As opções tecnológicas dependerão das sondagens preliminares e do orçamento para o projeto.

 

Em relação ao pedagógico, é preciso definir qual será a linha de instrução aprendizado que a instituição irá seguir. Será mais direcionado? Ou o aluno terá uma atuação mais autônoma? é aberto, construtivista, ou será um conteúdo mais prescritivo? Como se darão as interações? Qual será o papel do professor no projeto? Como serão feitas as avaliações? e certificação?

 

Em um projeto de EAD, há muitas varíaveis para serem levadas em consideração, com vários atores envolvidos no processo.

 

Em relação às ações que teriam impacto importante na implantação do EAD em uma instituição:

Acho que para que haja uma convergência entre o desenvolvimento tecnológico e sua aplicação na área de ensino de inglês (área em que atuo), há várias estratégias que precisam ser adotadas:

 

No nível macro, as institituições de ensino precisam incentivar seus profissionais a avançarem na área por meio de capacitação continuada (não apenas com a ideia de treinamentos uma vez por semestre, antes do início das aulas), não apenas internamente, mas por meio de cursos de extensão, especialização, etc. Além disso, na avaliação dos funcionários deve haver itens relacionados ao interesse do profissional em desenvolvimento no letramento digital

_ Identificação na instituição de profissionais multiplicadores de boas práticas na área de Tecnologia Educacional para que disseminem boas práticas entre os outros (inclusive dando horas para esses multiplicadores trabalharem no suporte ao outros)

– Interesse da liderança institucional em desenvolver suas próprias competências e habilidades na área digital (líderes precisam ser um bom exemplo daquilo que achamos que deve ser o padrão da instituição)

– Disponibilização de plataformas colaborativas e de comunicação para todos os funcionários (assim passarão a utilizar para assuntos acadêmicos e burocráticos)

 

No nível micro, os professores precisam entender que atualmente as instituições não têm como suprir toda a demanda de capacitação profissional, e na verdade, com as ferramentas, plataformas, programas e cursos amplamente disponíveis digitalmente, os profissionais devem ser responsáveis por seu próprio aperfeiçoamento e desenvolvimento. Acho que dois termos que não têm tradução direta e que são importantes nessa esfera, Accountability e Agency, no sentido de que todos nós devemos ser responsáveis e tomarmos à frente de nosso próprio movimento educacional.

 

Acho que só assim poderemos diminuir o espaço entre o que temos em termos de tecnologia e o que fazemos dela.

 

Quanto ao impacto da evolução dos sistemas digitais no EAD,

Acho que o maior impacto se dá no “timing” para a implementação das soluções e também na gestão por inovação. Cada vez mais, precisaremos de agilidade nas soluções que atendam às demandas e necessidades do público-alvo e, ao mesmo tempo, precisaremos encontrar soluções inovadoras na gestão educacional usando meios digitais que contemplem acessibilidade, navegabilidade e usabilidade e adaptabilidade. Isso significa que deveremos ter uma preocupação em buscarmos soluções educacionais que contemplem acesso via múltiplas plataformas, com fácil navegação para que o usuário consiga aprender, construir, colaborar. Assim, cada vez mais, devemos buscar caminhos digitais de aprendizado em que os alunos tenham uma experiência personalizada e com a orientação do professor e sua intervenção quando necessário.

 

Na gestão de EAD há diversos desafios técnico e pedagógicos e isso implica em uma necessidade ainda maior de grupos gestores multidisciplinares em que membros sejam de áreas distintas e complementares, como TI, TE, designer instrucional, professores, designers gráficos, etc. Dependendo do escopo do projeto, há ainda que se considerar as formas financeiras para viabilizar o seu desenvolvimento.

 

Se por um lado, então, temos que considerar uma gestão de EAD muito mais abrangente, multidisciplinar e com custos altos, por outro, vejo também o movimento oposto em que ações individuais ou coletivas de gestão de EAD baseadas em plataformas abertas, de baixo custo e em ferramentas Web2.0 também proporcionam a possibilidade de ações educacionais pontuais e com pouco recurso financeiro. Atualmente, há vários exemplos, de MOOCs a cursos online oferecidos por professores sem vínculos institucionais que estão transformando o cenário educacional. Há propostas de cursos livres, por exemplo, e até cursos totalmente gratuitos. Eu, por exemplo, participo de um projeto de cursos online gratuitos em diversas áreas do conhecimento para professores de inglês que é baseado em um sistema de facilitadores voluntários em treinamentos de alto nível. O projeto que já existe há uma década é conhecido como Electronic Village Online: http://evosessions.pbworks.com . Mais sobre o projeto http://www.tirfonline.org/wp-content/uploads/2013/02/TIRF_OLTE_CaseReport4_Hanson-Smith.pdf  (em inglês)

 

Acho, então, que veremos cada vez mais sistemas de gestão de EAD mais complexos, multidisciplinares e caros por um lado, e, por outro, ações coletivas e individuais de baixo custo, mas com qualidade, que estarão na interseção do aprendizado formal-informal.

 

Quanto às medidas curriculares apresentadas pelas novas possibilidades de sistemas digitais,

Institucionalmente, acho que o primeiro passo seria a criação de um grupo multidisciplinar para estudar, explorar possibilidades e redirecionar a forma como se aborda ensino/aprendizagem com tantas possibilidades digitais. Acredito que uma forma interessante de trabalho nessa área é a utilização, por exemplo,  do processo de design thinking,  que vai desde a descoberta dos reais desafios/problemas que enfrentamos até a prototipagem e teste da solução encontrada.

 

Para que a gente busque novas soluções para as estruturas curriculares que temos hoje precisamos buscar novos modelos, exemplos de sucesso, ideias em outras áreas do conhecimento. Só assim imaginaremos propostas realmente inovadoras que potencializem e amplifiquem as possibilidades que o mundo digitalizado nos proporciona. Devemos buscar soluções que capitalizem o uso do digital para o que ele faz bem, quando o consideramos como plataforma múltipla (web/dispositivos digitais) para a busca de informação/conteúdo, para interação e colaboração, e repensarmos, nesse processo, o papel do professor como orientador do processo de aprendizado.

 

Para isso, é necessário também um repensar nas formas de capacitação profissional, que seja contínua, significativa e personalizada para que o professor desenvolva as suas competências digitais, além de sua constante atualização em sua área de conhecimento e especialização.