Reflexão Final

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Não poderia terminar a especialização sem deixar de mencionar uma passagem que li há pouco do querido Prof. Moran (2014).

As tecnologias permitem o registro, a visibilização do processo de aprendizagem de cada um e de todos os envolvidos. Mapeiam os progressos, apontam as dificuldades, podem prever alguns caminhos para os que têm dificuldades específicas (plataformas adaptativas). Elas facilitam como nunca antes múltiplas formas de comunicação horizontal, em redes, em grupos, individualizada. É fácil o compartilhamento, a coautoria, a publicação, produzir e divulgar narrativas diferentes. A combinação dos ambientes mais formais com os informais (redes sociais, wikis, blogs), feita de forma inteligente e integrada, nos permite conciliar a necessária organização dos processos com a flexibilidade de poder adaptá-los à cada aluno e grupo.

Se houve alguém que realmente me puxou, me empolgou e me fez ir além na disciplina que ministrou em nosso curso foram José Moran e João Mattar, tendo as tecnologias como operadoras de Inteligência Coletiva, não é mesmo Prof. Ery?Além dos tópicos que abordaram terem sido interessantes e relevantes do ponto de vista acadêmico, trouxeram para o ambiente virtual o que acredito deveria ser parte de qualquer programa online, um design instrucional mais solto, contextualizado que foi se construindo com o grupo ao longo do tempo. Nada era fixo ou determinado, mas fluido, líquido. Cada um de nós se apropriava do que achava relevante. O ponto alto das aulas do Prof. Moran foi seu humanismo e proximidade, trazendo materiais e leituras incríveis, relatos de experiências pedagógicas bem sucedidas. Volta ao Mundo em 13 Escolas foi uma leitura apaixonante que nos faz querer transformar o mundo e nossa sala de aula. Também me aprofundei e estudei questões relacionadas ao modelo híbrido de educação já que acredito, cada vez mais, que esse será o modelo do presente e do futuro.  Da mesma forma que o  o Prof. Ery, Moran também proporcionava ao grupo encontros online sistemáticos. A prof. Andréa Filatro também buscou trazer uma visão abrangente do Design Instrucional, construindo com o grupo e nos instigando a desenvolvermos o entendimento dos conceitos. Esteve presente no grupo. E propôs o desafio final da gravação de uma Pecha Kucha.  Mattar é realmente de Mattar com sua presteza, capacidade de articulação e vontade de acertar o tom da nossa experiência pedagógica. Disponível, acessível, acadêmico de estirpe, mas sem perder o senso de realidade, fazendo a ponte com a sala de aula e, ao mesmo tempo, nos presenteando com a sua sala de aula que não poderia ser mais próxima e rica nas discussões, interações e construções com o grupo. Sempre se pautou pelo prático, o dia a dia, a sala de aula. Só senti falta na disciplina de mlearning discussões com o grupo, ideias para o uso de dispositivos móveis em sala de aula. Gostei do desafio da criação do aplicativo, mas acho que poderíamos ter avançado nas discussões sobre práticas pedagógicas. Bem, pode ter sido eu que realmente tive algumas pausas por causa de viagens e projetos profissionais.

Games e gamificação, tendências apontadas no Horizon Report de 2013, também foram foco de minhas incursões acadêmicas e aprofundamento do tema desde o início da especialização.

Quando compilei todos os textos que produzi durante o curso e criei a nuvem de palavras acima, ficou claro que o meu foco são os alunos e professores. E no vídeo faço umas colocações sobre o que essa trilha de aprendizagem teve de significado único no meu desenvolvimento acadêmico e profissional.

Cada um criou sua narrativa. Comecei a delineá-la aqui, mas a narrativa dura enquanto temos uma história para contar e criar. E eu continuo a minha.


Referência

Horizon Report: Edição Ensino Superior (2013). Disponível em: <http://www.nmc.org/pdf/2013-Horizon-Report-HE-PT.pdf>. Acesso em: 28 out. 2013.

MORAN, J.(2014) Mudando a Educação com Tecnologias Ativas e Valores. Disponível em < http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2014/11/mudando_moran.pdf> Acesso em: 30 nov. 2013.

Blogs como Portfólios Digitais

Citação

Streak - Responsive WordPress Theme - Laptop

Blog como sistematização de avaliação formativa: da transmissão de conteúdo pelo professor e repetição/memorização à uma seleção ordenada do desenvolvimento intelectual do estudante. Em vez de uma avaliação pontual no tempo, o portfólio passa a representar o processo de desenvolvimento de aprendizagem do aluno, senda a evidência de sua trajetória pedagógica, em consonância com a plasticidade do mundo contemporâneo.

Definição de Portfólio de acordo com Hernandez (2000): “Continente de diferentes classes de documentos (notas pessoais, experiências de aula, trabalhos pontuais, controle de aprendizagem, conexões com outros temas fora da Escola, representações visuais, etc) que proporciona evidências do conhecimento que foi construído, das estratégias utilizadas e da disposição de quem o elabora em continuar aprendendo.”

Exemplo da Universidade de Uberaba (Uniube) – no Intistuto Federal de Educadores (IFE), os alunos usam blogs como portfólios na construção do saber e para a reflexão sobre o processo de aprendizado de cada estudante >>Estudo feito com os alunos do 1o período em Comunicação Social da Uniube.

Blogs como plataforma de portfólio, tendo como pressuposto uma audiência online. Foi escolhido por ter uma interface intuitiva em que o usuário não precisa ter nenhuma habilidade digital especial para utilizá-lo. Além disso, dá alto grau de liberdade aos autores, agilidade na publicação dos textos e fácil acesso ao conteúdo. No caso específico dos alunos de Comunicação, a escolha do blog também foi feita pensando no desenvolvimento das competências e habilidades digitais dos alunos previstas nas Diretrizes curriculares para os cursos de graduação >>> Inclusão da Linguagem digital contemporânea nas atividades pedagógicas dos alunos como elemento aproximador da linguagem cotidiana dos alunos.

Estruturação das Atividades e Registros no Blog
1. Orientação para a criação, atualização e interações nos blogs com um passo a passo para os alunos
– Um comentário no blog por aula (40 posts dos 40 encontros presenciais)
– inclusão de hiperlinks para ampliação do conhecimento a cada 5 atualizações (postagens no blog)
– um comentário semanal sbore um artigo publicado no observatório de imprensa (www.observatoriodeimprensa.com.br)
– o blog deve incluir todos os trabalhos escritos apresentados nas atividades presenciais
– os alunos devem visitar os blogs de outros colegas
– o blog será checado pelo professor em 3 períodos no semestre, e o professor concederá até 5 pontos para o blog em cada vistoria, considerando a atualidade das postagens e o cumprimento dos critérios.
– os alunos têm liberdade criativa em suas postagens.

DESAFIOS
>>> alguns alunos não sabiam o que era um blog ou como criá-los
>>> Alguns não criaram os blogs (10 alunos); 6 criaram, mas não atualizaram
>>> utilização do “internetês”nas postagens; professor fez intervenção, orientando sobre a obrigação do comunicador de escrever corretamente e coerentemente
>>> Nem todos os alunos aprofundaram suas experiências nos blogs ou mesmo conseguiram fazer as conexões com outras leituras e recursos ou com o que os colegas estavam escrevendo em seus portfólios
>>> poucos comentários dos alunos nos blogs uns dos outros
>>>interrupção das atualizações dos blogs nas últimas semanas do curso

RELEVÂNCIA DO BLOG COMO PORTFÓLIO
>>> A cada atualização, o aluno relê ou pelo menos “passa o olho”constantemente nos temas da disciplina, reforçando a compreensão do seu processo de aprendizagem e reflexão
>>> Interconexão de ideias com que os outros colegas estão escrevendo, levando a insights sobre temas que podem ter resultado em algumas dúvidas
>>> O professor tem uma visão das lacunas no aprendizado ou interpretações errôneas dos alunos e pode retomar o tema em sala de aula
>>> Registro das inquietações acadêmicas dos alunos
>>> audiência autêntica e real (não só o professor da disciplina)
>>>Revelação de interesses intelectuais despertados nos alunos que não necessariamente estavam ligados à disciplina
>>>O feedback do professor nos blogs dos alunos ou em sala de aula, de forma a pontuar o progresso do aluno e as carências na formação (Benigna Villas Boas aponta para a necessidade de parceria no processo de avaliação formativa via portfólios, que ela chama de pastas avaliativas).

CONCLUSÕES SOBRE A UTILIZAÇÃO DOS BLOGS COMO PORTFÓLIOS
>> familiarização dos alunos com a lógica de utilização e linguagem dos blogs
>> conscientização dos alunos da progressão de seu desenvolvimento intelectual ao longo do semestre
>> Reflexões complementares sobre experiências, indagações acadêmicas e inquietações intelectuais
>> Artefato digital final que é de autoria do aluno, registrando questões teóricas e pedagógicas, e também existenciais e emotivas
>> blog com potencial de canalizar as discussões teóricas do grupo de alunos
>> A partir de 2006, os blogs foram incorporados ao processo de avaliação regular
>> Os alunos passaram a ser orientados para utilizarem apenas uma plataforma de blog (www.blogger.com) para dar maior padronização à experiência e maior possibilidade de interações entre os alunos (formação de redes)

EXEMPLOS DE BLOGS PRODUZIDOS PELOS ALUNOS
http://glicapp.blogspot.com.br
http://mariconrado.blog.uol.com.br
http://jpradoblog.zip.net
http://lobotomiainformatizada.zip.net
http://danickmg.zip.net

Resumo do texto para o trabalho em grupo sobre portfólios digitais.

FONSECA, André. Portfólio Digital: o blog no recurso pedagógico no ensino superior. Semina: Ciências Sociais e Humanas, Londrina, v. 33, n. 1, p. 81-90, jan./jun. 2012. Disponível em <http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminasoc/article/view/14413/12401>. Acesso em: 13 Nov. 2013.

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